Entrevista exclusiva do Costa Gold sobre novo álbum

Fala rapaziada! O Polifonia desenrolou para vocês uma entrevista especial com o Costa Gold, que se prepara para o lançamento de seu novo disco após passar 2018 sem lançar nenhum trabalho fechado. O álbum “Projeto 6” se divide em duas partes: Azul e Vermelho, e promete uma sonoridade original que vai mesclar trap com samba sem perder o boombap raiz representado pela tatuagem do Quinto Andar que o Predella tem no braço.

1- Segundo informações do G1, o novo disco pretende misturar MPB com trap e, ainda assim, não abandonar as raízes sonoras do Costa Gold. Quais são essas raízes?

(Nog)

– O Costa Gold tem uma fonte de referência muito ampla, tem uma raiz no samba, mpb, pagode e rap. Então, não vamos perder as influências do boombap e vamos nivelar com o trap e a MPB.

(Predella)

– As raízes do grupo são do boombap. Na proposta de mpb com trap, o Costa Gold traz a volta desse boombap. Acho que além do que vamos trazer de novo, a gente vai trazer o que é clássico também.

2- Como será feita a introdução da MPB no trap e como esses dois gêneros podem se fundir às raízes do Costa Gold sem que o grupo perca sua essência originária?

(Nog)

– Com a crescente do trap no Brasil, a gente achou que seria uma ótima escolha. O Predella teve a visão dessa junção do mpb com o trap e eu aderi rapidamente. Vamos provar isso ao longo do ano com os lançamentos. A melhor maneira de responder isso é “nos aguardem!”.

(Predella)

– Basicamente, a gente ser o Costa Gold de sempre. Dentro da nossa musicalidade, é a gente continuar sendo a gente mesmo.

3- Quais tipos de músicos participaram da produção do disco?

(Nog)

– A gente está querendo ampliar o nosso alcance, querendo chegar em outros gêneros musicais; então, estamos tentando fazer uma mescla sem perder a identidade do Costa Gold.

(Predella)

– Vão ter diversos músicos nos discos “Azul” e “Vermelho” e os que eu posso adiantar aqui são o Nine e o JK.

4- São muitos anos fazendo barulho forte na cena do rap nacional, e agora o grupo está trabalhando com a Som Livre. Como vocês enxergam essa parceria num sentido de crescimento da banda? É possível chegar a um patamar maior do que já foi alcançado? Qual?

(Nog)

– Com certeza, é possível chegar a outros patamares e a Som Livre se mostrou muito inclinada a apoiar as nossas necessidades e tentar ajudar a gente a chegar nos lugares que a gente precisa. O objetivo, na verdade, é colocar o rap como um dos principais gêneros musicais aqui do nosso país. Porque o rap é a voz de muitos, então a gente quer disseminar a cultura do Hip Hop da melhor forma possível. O rap salva vidas!

5- Recentemente, Predella lançou um verso bem direcionado:

“No nosso bonde, vacilão não tem vez
Na nossa tropa, mentiroso e c**** não têm vez
Não tem guerra com MC, guerra é com as leis
Governo, essas linha é direta pra vocês
F***-se o Bolsonaro, bota a cara, mister M
Entra um no c* do outro, tudo junto com a PM
E f***-se as emissora de TV
Pro rap ter horário lá, só depende de você”

Num cenário político caótico, que promove um pacote contrário à cultura que se opõe claramente a qualquer manifestação anti-sistêmica, como vocês enxergam a existência de ouvintes de rap que apoiam o governo atual e não entendem por que ele representaria uma ameaça ao Hip Hop nacional? Onde o rap perdeu essa conexão com o público e abriu espaço para uma correlação tão antagônica?

(Nog)

– A origem do rap é dos subúrbios e da opressão política e social. Foi através da arte que as pessoas conseguiram se expressar com palavras e com talento. É uma cultura muito rica; o berço dela é a revolução. O Costa Gold é uma das veias dessa revolução. Podemos não “representar” a luta negra, mas a gente representa a luta do Hip Hop. Então, também vamos falar da insatisfação com o país, porque essa é a veia do Hip Hop. No nosso caso, a política sempre foi uma coisa que o povo sempre esteve muito insatisfeito, porque, de fato, o Brasil carece de uma política de qualidade, educação, entre outras coisas. O Hip Hop dá voz e força ao povo para educar através da música. Apesar de ser polêmico, o rap educa e ajuda a falar as verdades que precisam ser ditas.

(Predella)

– Na minha opinião, os ouvintes do rap que são a favor de uma posição antidemocrática ou qualquer coisa que não favoreça a população e os menos favorecidos, não deveriam estar ouvindo rap; deveriam estar ouvindo outro gênero. O rap prega a liberdade de expressão. Eu tenho a minha opinião sobre o governo antigo e também o atual, porque eu acho que o Brasil não sabe ter uma posição boa no governo. Eu não estou favorecendo e nem desmerecendo o governo de ninguém, estou apenas do lado da população. O que eu quis dizer na letra é que quem tem muito poder deveria olhar mais para a população e eu, como sou do rap, estou falando que essa voz poderia ajudar o governo com a população. Como músico, como representante da bandeira do rap nacional, sempre vou estar ao lado dos menos favorecidos, como dos negros, dos pobres e dos homossexuais, dando espaço através da nossa voz.

6- Ainda sobre a questão político-social, qual é o papel do rap no momento e a melhor forma para conseguir dialogar didaticamente com o seu público?

(Nog)

– A forma como o Costa Gold sempre fez. A gente erra porque somos humanos, mas tenho certeza que educamos muitas pessoas através do rap.

(Predella)

– Através das letras. É preciso um pouco de compreensão de quem está ouvindo e um cuidado de quem está ouvindo. Você não precisa deixar uma criança de 5 ou 6 anos ouvir músicas para gente de 18. Quem ouve Costa Gold sabe a faixa etária que o grupo se encaixa. Nossa população precisa se educar melhor para que a gente entenda as informações que chegam, sem que a gente tome conclusões precipitadas ou que não saiba interpretar o que está sendo dito nas músicas, seja em qualquer ritmo. Sem dúvida nenhuma, a gente vai ter uma juventude muito mais educada para o que quer ouvir ou não. Assim, a gente consegue ter uma compreensão maior de todo mundo.

Esperamos que tenham gostado. Aguardamos ansiosamente o lançamento de mais um trabalho de qualidade e contamos com a evolução intelectual e crítica dos artistas para apresentar um conteúdo de muito compromisso e originalidade!

Obrigado a todos os nossos leitores. Este foi nosso bate papo com o Costa Gold, em breve voltaremos com mais entrevistas, indicações, resenhas críticas e muito material sobre cultura urbana e periférica!

Realização: Gustavo Silveira a.k.a. Caliban, Mosca Produções, Polifonia Periférica.

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