Capão Redondo – 100 anos

 

Por Denise Bergamo

Foto Rogério Gonzaga

No dia 29 de Abril de 2012, comemora-se o centenário do bairro Capão Redondo.

O bairro ficou notoriamente em destaque pela estatística expressiva de seus homicídios. Chegou a estar no Guinnes Book, junto ao bairro do Jardim Ângela como os bairros mais perigosos do mundo.

Não é uma boa referência, em todos os sentidos, mas para quem habita o bairro sabe que o Capão na década de 70,80 e inicio da década de noventa, as milícias policiais, junto com demais grupos, justiceiros e traficantes tornavam Capão em uma grande cova.

Isso tudo foi sendo modificado pela cultura local, houve um grupo de RAP que retratou com fidedignidade os dramas vividos pelos habitantes, até então desconhecidos por muitos (pouco afortunados). Houve também registros escritos por jornalistas que denunciaram o abuso das milicias nas perifeiras da zona sul.

Realmente não cabe citações, pois depois deste mal do século (XX) por qual o Capão passou, chegou a sua hora de viver a Belle Epoque.

E foi no dia 29 de abril que se admitiu aos moradores a vitória, esta que só cabe a eles, tudo que há de melhoras foi construído por suas mãos. E na rua Telemaco Hippolyto de Macedo Van Langendon por todo o dia foi celebrado o centenário do bairro que hoje se orgulha por suas poesia e seus poetas com seus saraus, seus músicos, sua gente que relutou contra um estigma empregado por anais televisivos.

Com a presença das bandas: Poesia Samba Soul, Max musicalmente, Os guerreiroz, Clão dos loucos, Planta e Raiz e Gog junto a MPBBlack.

O dia chuvoso não impediu a festa. Organizada por setores públicos e privados o centenário não se restringirá apenas ao dia 29, mas por todo o ano até novembro dia 20 (dia da consciência negra). O Capão é um afluente africano e não haveria melhor data para fechar o centenário.

Ao Capão Vida Longa!

LINKS:

http://coopermusp.blogspot.com.br/2012/05/capao-redondo-capitulo-100-edicao.html (As fotos do evento)

coopermusp.blogspot.com.br/2012/05/capao-redondo-capitulo-100-edicao.html (O manifesto lido na abertura do centenário)

Denise Bergamo é habilitada em literatura portuguesa, trabalha na Secretaria de Educação de São Paulo e é colaboradora do Polifonia Periférica

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