Rock in Rio 2026: os grandes momentos do primeiro dia na Cidade do Rock
Foo fighters – Palco Mundo – @LALI_MOSS
Nova Twins, The Hives e Rise Against prepararam o terreno para o retorno triunfal de Dave Grohl, enquanto o Palco Sunset contou encontros que misturaram nostalgia, gerações e memória afetiva do rock brasileiro.
O primeiro dia do Rock in Rio 2026, em 4 de setembro, fez apenas o nome do festival. A Cidade do Rock recebeu uma sequência de apresentações que atravessou diferentes gerações do rock, do peso experimental da Nova Twins ao garage rock irreverente do The Hives, passando pelo hardcore melódico do Rise Against até chegar ao grande momento da noite: o retorno do Foo Fighters ao Palco Mundo.
O público também encontrou no Palco Sunset alguns dos momentos mais espontâneos e afetivos de abertura. Se o Mundo foi dominado pela força das guitarras, o Sunset mostrou que o rock brasileiro ainda tem uma enorme capacidade de reunir gerações.

Palco Mundo: uma noite para cantar, pular e lembrar
A Nova Twins abriu o Palco Mundo com sua mistura de rock pesado, punk e hip hop. A apresentação teve energia de sobra, especialmente na atuação de Amy Love e Georgia South, mas encontrou uma placa ainda pequena e bastante dispersa. Dos muitos fãs que chegaram cedo estavam ali para garantir espaço para o Foo Fighters. Ainda assim, a dupla britânica deixou claro por que é uma das forças mais interessantes da nova geração.
Depois que veio o The Hives, a temperatura mudou completamente. Pelle Almqvist transformou o Palco Mundo em uma espécie de ringue de rock, com humor, poses, provocações e uma presença de palco que não deixa espaço para espectadores indiferentes. O garage rock sueco trabalhou especialmente bem diante de uma plateia que começava a absorver.
O Rise Against trouxe o peso político e emocional do hardcore melódico. A banda colocou rodas de mosh em movimento e fez o público cantar sucessos como “Prayer of the Refugee” e “Savior”. O show ainda teve um momento curioso quando Tim McIlrath revelou que o grupo estava tocando com instrumentos que não eram seus. Em vez de prejudicar a apresentação, a situação reforçou o caráter direto e visceral da banda.
Mas era impossível ignorar o que acontecia ao redor. Desde cedo, os fãs chegaram à Cidade do Rock com certeza de ficar perto do palco para ver o Foo Fighters. Alguns passaram da madrugada na fila para garantir um bom lugar.
E Dave Grohl entregou aquilo que o público esperava.
O Foo Fighters entrou no palco com “All My Life” e “The Pretender” e rapidamente transformou a Cidade do Rock em uma cor enorme. O repertório passou por diferentes fases da carreira, como “Times Like These”, “My Hero”, “Learn to Fly”, “Monkey Wrench”, “Best of You” e, claro, “Everlong”.
O show foi, ao mesmo tempo, previsível e eficiente. E talvez seja justamente aí que você esteja com sua força. O Foo Fighters não precisou reinventar sua fórmula. Dave Grohl sabe exatamente o que o público quer ouvir e, principalmente,sabe como transformar canções conhecidas em experiências coletivas.
A presença do novo baterista Ilan Rubin também trouxe novo vigor à banda. Ganhou velocidade e dinâmica, enquanto Grohl continuou conduzindo tudo com a intimidade de quem parece estar tocando para uma grande apresentação e para uma pequena sala ao mesmo tempo.
Entre os momentos mais especiais esteve “Marigold”, composição de Grohl da época do projeto Late!, posteriormente gravada pelo Nirvana. A escolha funcionou como uma ponte entre passado e presente, lembrando ao público que a história do músico passa naturalmente pelo grunge de Seattle.
“Aurora” veio como homenagem a Taylor Hawkins, acrescentando uma camada emocional ao espetáculo. No final, “Everlong” fez o que se esperava: colocou milhares de vozes para cantar juntas e encerrou a noite com aquela sensação de que o festival tinha finalmente começado de verdade.

Palco Sunset: onde a memória virou espetáculo
Se existe um lugar onde o Rock in Rio consegue mostrar que um festival é mais do que uma sequência de shows, esse lugar foi o Palco Sunset.
Di Ferrero abriu os trabalhos e preparou o terreno para um dos encontros mais nostálgicos do dia: Detonautas convidando Biquíni Cavadão.
O encontro reuniu sucessos de diferentes momentos do rock brasileiro e colocou gerações lado a lado. “Quando o Sol se For”, “O Dia Que Não Terminou”, “Vento Ventania” e “Tédio” foram alguns dos momentos que transformaram a plateia em uma grande coro.
Na sequência, a britânica Hot Milk fez sua estreia no Brasil. A banda levou energia e vocais potentes ao Sunset, embora tenha encontrado um público menos participativo do que o esperado, com parte da plateia aproveitando o momento para descansar no gramado.
Mas o grande momento do Sunset ainda estava por vir.

Capital Inicial convidando Dado Villa-Lobos foi mais uma participação especial. Foi um encontro de histórias. Dado, guitarrista da Legião Urbana, dividiu o palco com Dinho Ouro Preto em uma apresentação que revisitou a tradição do rock de Brasília e homenageou a memória de Renato Russo.
Dinho, em determinado momento, saiu do palco e foi para junto do público. A distância entre artista e plateia distante. E quando os clássicos do rock de Brasília chegaram ao ecoar pela Cidade do Rock, a sensação era de que diferentes épocas da música brasileira estavam ocupando o mesmo espaço.
O momento também ganhou um tom político. Durante “Que País É Este?”, Dinho fez referências ao cenário brasileiro e transformou o palco em espaço de posicionamento, mostrando que o rock nacional continua carregando uma tradição de crítica social.
Supernova: o palco que mudou o público de novas vozes
Enquanto o Palco Mundo concentrava os grandes nomes internacionais e o Sunset apostava nos encontros entre artistas, o Supernova cumpriu uma função importante no primeiro dia do Rock in Rio: aproximar o público de artistas que estão ajudando a movimentar a nova cena brasileira.
A programação começou com Chady, seguida por Rock in Gil com Raissa Luz, projeto que colocou a música de Gilberto Gil em diálogo com uma nova geração de intérpretes. Depois, Venere Vai Venus levou sua sonoridade ao palco, antes de Diogo Defante fechar a noite às 20h10.
O Supernova tem justamente esse papel de descoberta. Em vez da dimensão monumental do Mundo, o espaço cria uma relação mais próxima entre artista e público. É onde o espectador pode chegar sem necessariamente conhecer o repertório e sair com uma nova banda ou artista para acompanhar.

E Diogo Defante foi um dos nomes que mais chamaram atenção nesse sentido. Sua presença combina música, humor e uma comunicação direta com a plateia, algo que funciona especialmente bem em um palco de festival. A apresentação também reforça uma característica importante do Rock in Rio atual: a fronteira entre música, internet e cultura pop é cada vez mais difícil de separar.
Com o Supernova, o primeiro dia ganhou outra perspectiva. O Rock in Rio não foi apenas sobre Foo Fighters, The Hives ou Rise Against. Também foi sobre descobrir quem está chegando, acompanhar artistas em ascensão e perceber como diferentes públicos ocupam a Cidade do Rock.

Espaço Favela mostra talentos da favela e mistura música e diversão
No Espaço Favela, a programação deste sábado manteve a energia da Cidade do Rock em alta do início ao fim. Hitmaker levou ao palco uma sequência de sucessos que transformou a área em uma grande pista de dança, com o público cantando em coro e acompanhando cada refrão. Um dos momentos mais emocionantes da apresentação foi a participação de sua filha no palco. Encerrando a noite, Rodrigo do CN fez o Espaço Favela virar um verdadeiro baile, reunindo uma multidão em uma apresentação marcada por muitos hits e uma atmosfera de festa que fechou o dia em grande estilo.
Um festival visto por vários ângulos
Com Mundo, Sunset e Supernova, a experiência do primeiro dia foi muito mais ampla do que a sequência de grandes shows. Havia quem estivesse ali desde cedo esperando pelo Foo Fighters, quem circulasse entre os palcos em busca de uma descoberta e quem tivesse chegado ao festival justamente para ver um artista específico.
Essa circulação é parte da experiência de estar no Rock in Rio. Você pode chegar pensando em uma banda e terminar a noite falando sobre outro que encontrou por acaso.
E talvez seja justamente aí que você é uma das melhores características de um festival como esse: o inesperado também faz parte do ingresso.
Os momentos que ficaram
O primeiro dia teve uma sucessão de imagens que ajudaram a explicar a experiência de estar na Cidade do Rock: fãs vestidos de preto mesmo sob o calor do Rio, camisas de bandas, rodas de mosh, guitarras no alto, refrões cantados por milhares de pessoas e artistas atravessando a fronteira entre palco e plateia.
O contraste também fez parte da experiência.
De um lado, a grandiosidade do Foo Fighters diante de uma multidão. Do outro, bandas como Nova Twins tentando conquistar um público ainda disperso. No Sunset, encontros como Detonautas e Biquíni mostraram a força da memória afetiva, enquanto Capital Inicial e Dado Villa-Lobos transformaram nostalgia em celebrações.
No fim, o primeiro dia do Rock in Rio 2026 conseguiu aquilo que um bom festival precisa fazer: não apenas apresentar bandas, mas criar momentos que o público leve para casa.
E para a Polifonia Periférica, essa experiência ganhou um significado especial.
Nossa presença na Cidade do Rock só foi possível graças à parceria com a Doritos,que nos levou ao Rock in Rio para acompanhar de perto o primeiro dia do festival e contar ao nosso público, a partir de dentro, como foi viver essa experiência.