Cracklin’Groove: o rock autoral do ABC que transforma referências clássicas em som próprio
Trio de São Caetano do Sul aposta em guitarras, vocais compartilhados e uma mistura que aproxima o rock clássico da energia da cena independente
Existe uma característica importante na cena independente brasileira que muitas vezes passa despercebida: a capacidade de bandas de cidades fora do eixo mais evidente do mercado musical criarem seus próprios caminhos. É nesse território que o Cracklin’Groove vem construindo sua história.
Formada em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, a banda trabalha com uma proposta que parte do rock clássico, atravessa o blues e referências do rock independente dos anos 2000. O resultado, segundo a própria banda, é um repertório autoral marcado por guitarras, riffs, vocais alternados e uma presença de palco pensada para funcionar tanto em casas de shows quanto em eventos culturais.
A história começou em 2015, quando o Cracklin’Groove iniciou seus primeiros ensaios. No ano seguinte, o grupo estreou no Primeiro Festival de Músicas de São Caetano do Sul. Desde então, passou por diferentes formações e ocupou espaços variados da cena do ABC e da capital paulista. Os registros da época mostram a banda circulando por eventos públicos, escolas, espaços culturais e apresentações promovidas pelas prefeituras.
Essa trajetória ajuda a entender uma das características mais interessantes do grupo: a capacidade de transitar entre diferentes ambientes sem abandonar a música autoral.
Do rock clássico ao indie
A Cracklin’Groove não esconde suas referências. O rock das décadas de 1960 e 1970 aparece como uma das bases de sua identidade, mas não funciona apenas como reprodução de uma fórmula antiga.
Em 2022, a banda se apresentou em uma programação do Leandrini Rock Bar como um grupo que transitava pelo blues, rock e beat, combinando músicas próprias e covers com arranjos particulares.
Essa relação com o passado também aparece no primeiro álbum, “Cracklin’Groove”, lançado em novembro de 2023. O disco reúne 13 faixas e percorre diferentes vertentes do rock. Entre elas estão “Little Games”, “Disaster”, “Sweet Pitch”, “Midnight Sway”, “I’ve Got to Ramble”, “Joey” e “Circus of Insanity”.
Na época do lançamento, a produção foi assinada por Danilo Pozzani, e a banda foi descrita como influenciada tanto pelo rock dos anos 1960 e 1970 quanto por nomes mais recentes, como The White Stripes.
É justamente nessa combinação que o Cracklin’Groove encontra seu espaço. A banda olha para trás sem parecer presa ao passado.
Uma banda que continua se movimentando
O momento atual aponta para uma nova etapa. De acordo com o material enviado à Polifonia Periférica, a formação atual reúne Lorena Braco na guitarra e voz, Gabi Emiko no baixo e voz e Lucas Elias na bateria. O trio também está em fase final de gravação do segundo álbum de estúdio.
A agenda recente mostra que a banda continua buscando espaços na cena independente. Em abril de 2026,a Cracklin’Groove apareceu ao lado de Jay Vaquer em apresentação no Augusta Hi Fi, em São Paulo.
No mês seguinte, o grupo integrou a programação da Casa Lab, em São Paulo, ao lado de artistas independentes como Only, Jorgens, Cidade Curupira, Nelsinho e Mundiko.
Esse movimento talvez seja um dos aspectos mais importantes da trajetória da banda. Em vez de depender de uma única cena ou de uma única definição de gênero, o Cracklin’Groove vem ocupando diferentes espaços e colocando o rock autoral em circulação.
No momento em que tantas bandas independentes lutam para encontrar espaço e construir público, continuam tocando, gravando e criando repertório próprio já é, por si só, uma forma de resistência.
E a Cracklin’Groove parece estar apenas começando mais um capítulo dessa história.