POLIFONIA: VIDA LONGA!

Quadro – Operários – Tarsila do Amaral

Aqui uma bela homenagem da nossa companheira Denise Bergamo ao primeiro aniversário do Polifonia Periférica.

POLIFONIA: VIDA LONGA!

Vozes! Vozes! Eu as ouço.
Aqui, ali, são vozes.
Vozes, vozes eu as vejo.
Ouvia e via as vozes de outrora e como eram penosas.
Hoje as ouço e vejo lustrosas. Vozes, vozes eu as profiro.
Não se cala, não se para, não separa…
Vozes…
O morro fala
O morro bala
O morro cala?
Não! Vozes, vozes eu as ouço.
O medo
O desprezo
O descaso…
Não soube calar as vozes, eu ainda as ouço vindo debaixo.
Vozes.
Ecoam, propagam, se rasgam.
Precisam
Carecem
Pedem.
Vozes!
Fala periferia minha, que suas vozes sejam ouvidas em todas outras
E se multipliquem
Na polifonia indubitável dos morros.

Denise Bergamo é habilitada em literatura portuguesa, trabalha na Secretaria de Educação de São Paulo e é colaboradora do Polifonia Periférica

 

 

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