Скубут (Skubut) transforma solidão, perda e conflitos internos em uma viagem sombria pelo post-punk
Скубут (Skubut) por @skubutphoto
Projeto solo do músico ucraniano Mykhailo Shliepin, radicado em Viena, mistura post-punk, coldwave e darkwave em canções que atravessam diferentes idiomas e experiências pessoais.
Existe uma espécie de beleza na música que não tenta esconder suas sombras. É justamente nesse território que se movimenta Скубут (Skubut), projeto solo criado pelo músico ucraniano Mykhailo Shliepin, artista que nasceu em Zaporizhzhia e vive em Viena desde os nove anos.
Multi-instrumentista, compositor, produtor e responsável pelas próprias composições e mixagens, Shliepin construiu no Skubut um espaço essencialmente pessoal. Desde 2020, quando se mudou do post-punk depois de passar pela cena thrash metal, o músico vem desenvolvendo uma sonoridade marcada pela combinação entre post-punk, coldwave e darkwave.
O resultado é uma música de atmosfera densa, mas que não depende apenas da estética sombria. Solidão, amor, perda, dependência, relações humanas e conflitos internos aparecem como matéria-prima para canções que parecem funcionar também como registros de experiências vívidas.
Nimyi: silêncio, relações e escuridão
O momento mais recente dessa trajetória é Nimyi, álbum lançado em 3 de abril de 2026. O trabalho reúne 12 faixas, entre elas “Nimyi”, “Druzi”, “Drayv”, “Tvoi glaza”, “Zalezhnist”, “Krov i ten”, “Vechno odin”, “Smert”, “Verloren” e “Obman”.
A diversidade linguística também faz parte da identidade do projeto. Shliepin transita pelo russo, ucraniano e alemão, levando para dentro das músicas uma experiência marcada por diferentes lugares, culturas e referências.
Um dos destaques é “Druzi”, faixa em que o músico utiliza ucraniano e alemão para abordar a hipocrisia presente em relações que se apresentam como amizade, mas escondem interesses e falsidades. A música integra o repertório de Nimyi e reforça uma das características mais fortes do projeto: transformar experiências pessoais em canções de alcance emocional mais amplo.
Outro aspecto interessante do álbum é “Vechno odin”, faixa que trabalha diretamente a ideia de estar sozinho diante da escuridão. A canção reforça o caráter introspectivo que atravessa o trabalho de Skubut.
Da guitarra aprendida de ouvido ao universo darkwave
A relação de Mykhailo Shliepin com a música começou ainda na adolescência. Aos 13 anos, ganhou sua primeira guitarra e passou a aprender principalmente de ouvido. A experiência com o thrash metal veio antes da descoberta do pós-punk, que abriu caminho para a criação do Skubut.
Desde então, o músico assumiu praticamente todas as etapas da produção. Essa característica dá ao projeto uma identidade bastante particular, porque composição, execução e produção caminham dentro de uma mesma visão artística.
Antes de Nimyi, Skubut havia lançado Pogranichnyi, em maio de 2024. O álbum explora justamente a ideia de fronteira entre o antigo e o novo,utilizando melodias sombrias e atmosferas densas. A faixa de abertura, “T’ma”, mergulhando na relação entre noite, escuridão e sensação de permanência.
O disco chegou a receber atenção fora do circuito imediato do artista. Em setembro de 2024, Pogranichnyi apareceu entre os lançamentos internacionais mais executados da rádio WTUL New Orleans.
O álbum também ganhou uma edição física pela brasileira Wave Records, em uma edição limitada de 200 cópias, aproximando ainda mais o trabalho de Skubut do público ligado a coldwave, post-punk e darkwave no Brasil.
Uma música que atravessa fronteiras
Há algo consistente no fato de Skubut existir entre diferentes lugares e idiomas. A história de Mykhailo começa na Ucrânia, passa pela Áustria e encontra na música uma maneira de transformar deslocamento, memória e experiências pessoais em linguagem artística.
Esse caráter internacional também aparece na recepção do projeto, que já encontrou ouvintes em países como Brasil, Estados Unidos e México.
Mais do que simplesmente reproduzir a estética sombria associada ao pós-punk e ao darkwave, Skubut utiliza esses elementos como ambiente para falar sobre sentimentos difíceis de traduzir em palavras. É uma música feita de contrastes: melancólica, mas intensa; íntima, mas capaz de dialogar com quem reconhece na solidão, na perda ou nas relações quebradas experiências universais.
Em Nimyi, Mykhailo Shliepin continua aprofundando esse caminho. E talvez seja justamente aí que esteja a força do projeto: transformar a própria sombra em som.E talvez seja justamente aí que esteja a força do projeto: transformar a própria sombra em som.E talvez seja justamente aí que esteja a força do projeto: transformar a própria sombra em som.