“Coisas que Ficam”: melancolia e poesia no primeiro disco do Rostos Comuns

Banda de Canoas (RS) une indie rock e canção brasileira em dez faixas autorais. Banda Rostos Comuns traduz angustia em guitarras distorcidas e poesia direta

A banda gaúcha Rostos Comuns chega com um debut que merece mais que atenção: Coisas que Ficam, lançado em meados de 2025, é um disco que parece conversar diretamente com quem já carregou saudade no peito e nostalgia nas costas. O trio de Canoas (RS) — Franco Mello na guitarra e voz, Dylan Romero na bateria e Daniel Ribeiro no baixo — transforma angústias cotidianas em melodias que não fogem fácil da memória.

As 10 faixas do álbum transitam entre o indie rock, o pop alternativo e nuances da canção brasileira contemporânea, criando uma paisagem sonora que é ao mesmo tempo íntima e expansiva. É música de quarto às três da manhã e também de carro parado no semáforo. Tem respiro e silêncio, mas também tensões que explodem em guitarras levemente distorcidas.

O álbum foi construído ao longo de cerca de três anos, com paradas e retomadas que acabaram dando ao trabalho um tom orgânico e sincero, longe daquela pressa de estrear “logo já”. Segundo entrevistas concedidas pela banda, o processo de produção foi artesanal, sem grandes intervenções externas, fazendo de cada faixa um registro cru de experiências pessoais que, não à toa, soam universais.

Rostos Comuns – capa do álbum “Coisas que Ficam”

A faixa-título “Rostos Comuns” — já divulgada como single — encapsula bem o que a banda busca: traduzir em som as pequenas derrotas e vitórias da vida, as frases que a gente guarda e que continuam ecoando mesmo depois de um fim anunciado. É indie pop com pegada emocional, letras diretas mas carregadas de poesia, e uma vontade clara de tocar onde dói.

Nesse sentido, o trabalho da Rostos Comuns dialoga com uma tradição do rock alternativo que vem mantendo a cena independente brasileira respirando há anos: não é sobre virtuosismo técnico ou hits prontos para playlist, mas sobre autenticidade e verdade narrativa. Influências como Radiohead, Terno Rei e Los Hermanos, citadas pela própria banda, aparecem mais como atmosfera do que como fórmula.

Coisas que Ficam não inventa nada de novo, mas faz do familiar um motivo legítimo para prestar atenção. E isso, no cenário atual do rock brasileiro — mais fragmentado do que centrado em vozes de massa —, já é um mérito. A banda ainda está no começo da jornada, apostando sobretudo em presença digital e planos para tocar ao vivo, mas o disco tem potencial para ecoar além de quem já frequenta as rodas indie.

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