ANX lança álbum “Entre o Silêncio e a Arte do Caos”

É praticamente impossível falar do rap gaúcho hoje em dia, sem citar o ANX, o grupo acaba de lançar o aguardado álbum  “Entre o Silêncio e Arte do Caos”, provando toda sua representatividade e influência na região metropolitana de Porto Alegre.

ANX deu início a sua caminhada há mais de 10 anos, passando por diversas formações até chegar ao seu momento atual, descrito por eles mesmos como “o momento mais maduro e profissional do grupo.” 

O grupo deu seus primeiros sinais em 2006, em Novo Hamburgo, com uma formação bem diferente da atual.

“Outras pessoas já representaram e passaram a mensagem do grupo durante esses anos, formando uma família, tipo uma entidade. Aqueles que não estavam no começo e hoje fazem parte, já estavam por perto, fosse nos rolês de skate ou nas batalhas de freestyle. Por todo esse tempo várias pessoas ajudaram a fortalecer o grupo de diversas formas, unindo cada vez mais essa grande família.” conta Xiên.

E não é raro você encontrar alguém com uma camiseta do Anexos por alguma das estações de trem entre Porto Alegre e Novo Hamburgo, assim como adesivos colados em algumas placas ou uma tag pixada nos muros. Esse reconhecimento provém do fato dos caras sempre retratarem com originalidade a vivência dessas cidades, trazendo um sentimento de representatividade pra gurizada, o que acabou tornando o ANX uma forte influência para outros grupos e MC’s da região. 

O Álbum “Entre o Silêncio e a Arte do Caos”

O período de produção do disco durou cerca de 2 anos e em meio a muitos perrengues, tretas e expectativa, o álbum ESAC finalmente ganhou as ruas. Todo o trabalho dos caras resultou em um disco duplo com 20 faixas, produzido de forma totalmente independente.

“É um disco que podemos dizer que é totalmente colaborativo, teve muitas pessoas envolvidas no processo construção dele e todas são 100% independentes, isso desde os beatmakers, videomakers,  designers e todas as outras áreas, sem vinculo nenhuma com empresa ou patrocinador.” comenta Chocolate.  

É o segundo álbum de estúdio do ANX e o momento mais profissional do grupo ao longo desses mais de 10 anos de existência. A originalidade em rimar sobre a vivência deles e sujeira das cidades que eles vivem, sempre trouxe destaque ao grupo por passar uma visão real desses lugares. Além da particularidade de cada mc ao expor suas ideias, todos se destacam com alguma track. E essa talvez seja essa a maior carência do público daqui, o que acabou gerando mais ansiedade ainda para o lançamento do disco.

“E o que mais nos inspira, é isso mesmo, esse marasmo mesmo da cidade grande..” Xiên.

“A gente ta nessa porra pra fazer um barulho que poucos fizeram depois do Da Guedes, mostrar que aqui no Sul tem muita coisa boa sim e não é só o ANX..” Chocolate.

“Esse álbum retrata o conteúdo da vivência dos últimos 10 anos desses 3 caras aqui..” Malcom.

Esse trabalho traz ares de renovação e inovação aos mc’s e ao grupo, mas principalmente a máxima de que não dá pra se acomodar com o que já se tem nas mãos, a busca tem que ser por algo que está em falta, e não apenas por um padrão ou uma tendência. O trampo do ANX fortalece a ideia da afronta nesse meio, mostrando que é possível fazer a cena do Rio Grande do Sul crescer e o quanto o sul do país pode ser rico e diferente, sim, no rap.

“O Rio Grande do Sul sempre foi um polo nacional do rap, é diferente de tudo, é outro tipo de vivência, é outro tipo de história, é outro tipo de mazela, outro tipo de obra a ser exposta, ta entendendo? Então valorizem isso, porque no dia que isso aqui realmente virar um bagulho de verdade, uma sincronia, todo mundo trabalhando, aí vocês vão entender o quão bonita é a arte que tem aqui no Sul do país.” Malcom. 

O ESAC é um disco praticamente todo de boom bap, sujeira pura e teve a colaboração de muita gente mesmo, começando pelas participações com Atentado Napalm, Zilladxg, Rua 3, Tuts, Jacksom, Cleiton Pródigo, W.A, André Soares, Milianos, Daime, Pacto LCR, Nega Bula e Deejay Abú. Além das próprias produções de Xiên e Chocolate que também são beatmakers, também teve os instrumentais de RDG, Pedra Beats, Pedro Locco, Rafael Singh, Jay- Gueto, Tio Scooby, Marco Bueno Terra Studios, Bova e NJay. A mix e master ficou por conta do Jay-Gueto da GuetoAnonimato Records, finalizando o álbum.

Uma das paradas que mais chama atenção no grupo, é a gana dos três em estar sempre trabalhando e evoluindo, isso com certeza motiva todas as pessoas que são próximas e as que trabalham com eles a acreditar em seus sonhos.  

Fonte: TAKE INDEPENDENT

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