Em live descontraída Mano Brown e Drauzio Varella conversam sobre racismo, música e outros assuntos.

Por Gilberto Ganjaboa

Mano Brown, músico dos Racionais MC’s, participou uma live com o doutor Drauzio Varella para discutir racismo, os problemas atuais do Brasil e como tudo isso se relaciona com a música.

A transmissão, batizada de Draw e Brown, aconteceu nesta quarta, 24 de junho, no canal do Dr. Drauzio no Youtube no topo dessa página. O produtor Gilberto Gajaboa fez um resumo para nós da live. Confira!Para anunciar o evento, o Portal Drauzio Varella preparou uma montagem com o rosto do médico no corpo do músico. Veja abaixo:

A live, que teve inicio às 18hs, foi super descontraída e despojada, sem uma tendência de entrevista ou algo mais profissional. Foi um bate-papo super franco entre dois expoentes de setores diferentes, Drauzio Varela, pelo lado da saúde e Mano Brown pelo lado da música. O tema da LIVE foi RACISMO e MÙSICA, mas foram abordados diversos temas.

O encontro on line reuniu mais de 30 mil pessoas, com uma média de 25 a 28 mil espectadores simultâneos, e após publicação, alcançou a marca de mais de 150 mil visualizações.

A Live foi conduzida pelo Doutor Drauzio, lendo em sua maior parte do tempo (1h20 minutos de live), as perguntas feitas pelos fãs que estavam online.

Dr. Drauzio abriu a LIVE contando como conheceu a música dos Racionais, e consequentemente as músicas e poesias do Mano Brown. Contou que conheceu  trabalho dos Racionais MC’s através de um grupo de jovens presidiários, do Carandiru, que estavam sob regime de prisão. A partir daí, ele passou a acompanhar o trabalho do grupo e do MC, que para o DOUTOR, se transformou em um tipo de herói das periferias, principalmente dos jovens.

A VIDA DE BROWN

Dr. Drauzio iniciou a live procurando revelar algumas informações sobre a vida pessoal de Brown, que respondeu sempre com sorriso no rosto, mas firmeza na voz. Nascido na Liberdade, criado pela mãe solteira, filho único, nascido na Liberdade nos anos 70, Brown que completou este ano 50 anos de idade, contou sobre seus estudos em colégio interno, sua vida pobre mudando sempre de casa e já iniciou a trabalhar cedo para ajudar sua mãe a melhorar de vida. Chegou ao Capão Redondo ainda num tempo de quase sem concreto, o bairro ainda era rural, com pouquíssima estrutura.

Falou do início da carreira dos Racionais, do disco “Sobrevivendo ao Inferno”, a junção do grupo, dois da Zona Sul, dois da Zona Norte, dos altos e baixos no quesito sucesso e dinheiro. Da admiração que ele teve de inicio por KL Jay e Edi Rock, e do companheirismo de seu primo, Ice Blue. Falou sobre filhos, Jorge e Domenica, da fase de nascimento de cada um coligada a linha do tempo de sua carreira. Voltando a falar de altos e baixos.

RACISMO:

Brown citou o racismo sobre sua visão desde criança, nos anos 80, na sua infância e juventude, o seguido histórico de desemprego, falta de dinheiro e conhecimento em um mundo pouco globalizado.

Drauzio compartilha algumas histórias que ele homem branco, da medicina, e já popular na cidade, fora abordado pela policia militar, apenas por estar em companhia de seus amigos negros.

Brown falou sobre o problema do racismo estrutural, da coligação da cor da pele com pobreza e crime. Do sério problema da visão da PM sobre a cor da pele, e de como os pretos já era treinados para se portar em defesa e quietude para não serem mortos, presos ou agredidos.

Citou a vez que foi a Nova York, acompanhado de seu filho, a trabalho para mixar e masterizar o disco dos Racionais. Quando entraram no avião, eram os únicos negros dentro dele.

MOVIMENTO ANTI-FASCIMO/RACISMO:

Dr. Drauzio citou os recentes casos de George Floyd e a mobilização nos EUA e perguntou ao BROWN qual a importância dessas ações por parte da população negra.

Ele citou as manifestações que ele fez parte, através do convite de Dexter e Thaíde, que ele disse ser uma “convocação” da qual ele não poderia deixar de fazer parte, mesmo concordando com Emicida, foi preciso quebrar a quarentena e mostrar ao povo presente de que ele também iria se expor por algo maior do que o vírus.

RAP NACIONAL

Hoje está muito mais concorrido, mas mais musical. Existe mais liberdade, os discursos são diversos. Citou Djonga, Emicida, Rael e Rincon como nomes que ele acredita serem do seu gosto e alcançarem sucesso, sendo politizados. Disse não sentir muitas saudades do começo dos Racionais, por todo sofrimento para alcançar um patamar que apenas hoje, o deixa mais tranquilo.

“Quando eu comecei era um deserto. Ninguém queria ouvir o que tínhamos para falar.”

E ele disse que prefere os dias atuais, vivendo hoje muito melhor que no passado em diversos sentidos, principalmente no quesito profissional, financeiro e cultural.

BRASIL DE HOJE:

“O Brasil é corrupto o suficiente para não abraçar ideologia de ninguém, Não tem direita ou esquerda, é tudo do mesmo jeito. Quem sofre é sempre o povo”, declarou Brown.

Sobre o racismo nos dias atuais, na periferia brasileira e no mundo, disse: “Sempre foi assim doutor. Só está piorando, e agora, sendo divulgado. Isso não assusta a periferia. A covid, pandemia, não assusta a periferia. A periferia sempre tem uma grande luta, que é a desigualdade. Estão matando nosso povo de todas as formas, até na alimentação. Com agrotóxicos, corantes, adoçante, mc donalds…

Doutor Drauzio fez uma pergunta interessante que ele replicou ao ouvir de uma pessoa próxima: “Brown, você acredita que a cadeia é uma extensão da Favela?”. E o MC o indagou de cara, respondendo a pergunta com outra pergunta: “Eu é que deveria fazer essa pergunta pro senhor…”

Doutor Drauzio, fez uma analogia de sua vivência dentro das cadeias e cárceres, falando que cuidou de pacientes, que tiveram parte de suas famílias dentro das cadeias em épocas diferentes, atendendo pais e filhos em intervalos de tempo não tão grandes.
Brown continuou a indagar… “Não devia ser assim doutor…”

QUARENTENA:

Doutor seguiu fazendo perguntas e chegou ao tema quarentena, o que o Brown estava fazendo para não deixar o “o tempo o matar”.  Brown disse que já teve diversos sentimentos, como tristeza, ansiedade, medo. Disse ter seguidos sonhos “onde ele corria para um lado com pessoas que ele não conhecia, mas que todos corriam juntos.” Disse já ter escrito música, lido livros, ligando para todos os amigos, pois infelizmente está sem os ver pessoalmente, seguindo os protocolos recomendados o máximo que pode, fazendo apenas o que realmente é necessário, cuidando assim da saúde dele e de sua família.

Assista a live completa!!

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