Relacionamentos Inter-raciais e a unidade do Movimento Negro no Brasil

Cléo SilveiraPor Cléo Silveira

Há diversas informações sobre Relacionamentos Inter-raciais e sobre uma possível falta de unidade do Movimento Negro no Brasil, achei interessante correlacionar esses fatos e elaborar um artigo científico, porém antes, escrever um artigo de opinião pra demonstrar o porquê da correlação e da escolha dos temas, qual é a importância de se relacionar a questão da afetividade negra com uma possível segmentação do movimento negro no Brasil?

Vivemos em tempos onde a democracia virou palco de radicalismos, o radicalismo é importante e valido desde que não se confunda com estupidez, ou fanatismo, pois o colapso da democracia esta intrinsecamente relacionado com a legitimação dos discursos de ódio, com a legitimação do racismo, com a legitimação da homofobia, afinal, todos os discursos são validos, vivemos em uma democracia…

Sendo assim, vários conceitos são deturpados, tudo vira motivo de ódio, tudo vira motivo de segmentação e nessa tentativa de segmentar os semelhantes, a metodologia é simples, favorecer determinados setores em detrimento de outros, fazendo com que haja uma falta de unidade, que posteriormente é fomentada pelos setores, criando uma determinada vulnerabilidade, impedindo o desenvolvimento saudável e natural e principalmente impedindo que a democracia e o radicalismo sejam de fato instrumentos de garantia de bem estar social.

A questão afetiva dos negros, por exemplo, perpassa por muitos debates, muitas análises e muitas reflexões dentro do campo da sociologia, é uma questão discutível, porém, nesse palco de fanatismos contribui para a segregação muito mais do que para a união. Sabemos que o Movimento Negro não é homogêneo, é composto por mulheres e homens, uns mais outros menos radicais, uns de esquerda, outros de direita e a questão que deve ser colocada não é a imposição pessoal ideológica e sim o bom senso, para se analisar friamente a questão da afetividade, que se usada como instrumento de dominação ou segmentação, fomenta ódio entre mulheres negras e homens negros, entre iguais.

Nesse sentido, a questão afetiva e diversas teorias e discursos, que, mesmo sem uma base teórica, são legitimados pela democracia, pela liberdade de expressão servem como aparato de segregação dentro do Movimento Negro, fazendo com que exista uma relação entre relacionamentos inter-raciais e a falta de unidade do Movimento Negro no Brasil, fazendo com que esse fator afetivo, comportamental, sirva muito mais aos interesses de segmentação do que de união.

É preciso que se aprofunde a análise sobre a questão afetiva em geral, por que em sua maioria somente a afetividade do Negro é analisada e ordenada? Pelos próprios negros (as) inclusive?

Cléo Silveira é Estudante de Ciência Política na Unirio, Militante, Professora, Articulista, Compositora e Mc.

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