Ecce Shnak: o rock que não cabe em molduras

Ecce-Shnak by Tommy-Krause

Do underground de Nova York para o mundo: o despertar do “chamber punk”. Conheça o projeto que transforma crises existenciais em hinos de pista. 

No meio de tanta música reciclada e fórmulas prontas, Ecce Shnak surge como um sopro de ousadia na cena do rock alternativa contemporâneo. Formado em Nova York, o quinteto se define como uma banda de art-rock que mistura pop, música clássica e punk em doses imprevisíveis, como se um laboratório musical tivesse explodido em cima de um palco.

O nome já dá a pista da provocação: pronunciado como Eh-kay sh-knock, ele brinca com a ideia de surpresa e desconcerto — exatamente o que a música do grupo provoca no ouvinte. A formação reúne David Roush (compositor, baixista e vocalista), Bella Komodromos (vocal), Chris Krasnow (guitarra), Gannon Ferrell (guitarra) e Henry Buchanan-Vaughn (bateria), um time que não hesita em subverter expectativas.

Em seu mais recente trabalho, o EP “Shadows Grow Fangs”, lançado em fevereiro de 2025 e acompanhado por um videoclipe para a faixa-título, essa audácia se transforma em som. O material leva o ouvinte por uma viagem de contrastes: do punk visceral ao rock experimental, passando por grooves pensados e ataques de introspecção sonora que destoam do rock tradicional.

A influência cultural de Ecce Shnak vai além da simples mistura de gêneros. Faixas como “The Internet” trazem crítica social embutida em letras ácidas que questionam a nossa relação com a web e as redes, um olhar desconstruído sobre a tecnologia que conecta tanto quanto isola. Outro destaque, “Jeremy, Utilitarian Sadboy”, pega emprestado o nome do filósofo inglês Jeremy Bentham para explorar ideias profundas sobre moralidade, sociedade e até mesma encarceramento, tudo isso embalado em um som que evoca math-metal, post-rock e momentos corais.

Em “Prayer on Love”, temos uma meditação mais suave sobre o amor, não como clichê romântico, mas como um tema multifacetado que a banda abordada com maturidade e certo lirismo, acompanhada por visuais psicodélicos no videoclipe oficial.

Essa capacidade de alternar entre crítica feroz e sensibilidade artística faz de Ecce Shnak uma das bandas mais provocativas da cena underground nova-iorquina. Eles se movem num território onde a música é quase um manifesto: esperta, muitas vezes difícil de rotular e sempre instigante.

O resultado é um rock que não se contenta em ser mero entretenimento. É um rock que questiona, que mistura passado e futuro, que brinca com tradição sem perder o senso de humor. Mais do que apresentar sons, Ecce Shnak oferece provocações sonoras e narrativas que convidam a refletir o papel da música e do artista na cultura atual.

Entre a genialidade e o absurdo

O nome da banda já entrega o espírito da coisa. É um trocadilho com Ecce Homo, a autobiografia de Nietzsche, misturado com uma palavra inventada que soa como um estalo. Essa dualidade entre o “culto” e o “nonsense” é o que torna o grupo tão magnético.

Nas palavras do próprio Roush, a banda busca respeitar a alma de cada gênero que toca. Eles não estão apenas fazendo paródia; eles estão habitando esses estilos. Seja em momentos acústicos e charmosos nas Backroom Sessions ou em colaborações inusitadas com DJs de EDM, o Ecce Shnak prova que o rock de vanguarda ainda pode ser divertido e, acima de tudo, humano.


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