Do Caos Urbano às Lonas do Underground: Trágico Punk em Evidência

Hardcore com olhar crítico: como a banda paulista ecoa o espírito D-beat no Brasil de hoje

A banda paulista Trágico desponta na cena hardcore como uma das vozes mais cruas e urgentes da nova geração. Formada em 2023, a banda transformou em som o caos urbano que muitos preferem ignorar e, em pouco tempo, conquistou uma presença significativa no underground de São Paulo, palco historicamente fértil para manifestações extremas do punk e do hardcore no Brasil.

No fim de 2024, o grupo lançou o primeiro álbum, Vida Amarga, disponível nas principais plataformas de streaming, seguido por edições físicas em CD e, em 2025, em vinil de 12”, prensado pela Vinil Brasil — um gesto que resgata a tradição DIY (faça você mesmo) tão cara ao punk e ao hardcore, ainda celebrada por coletivos e fãs mesmo na era digital.

Gravado e masterizado por Fábio Godoy no 147 Studio Bar, no bairro da Lapa, o disco sintetiza influências densas do D-beat e do pós-punk com raízes profundas na tradição crítica das bandas paulistanas dos anos 80 e 90, um legado que segue reverberando nas ruas e pequenas casas de show da cidade.

As dez faixas de Vida Amarga funcionam como um espelho brutal da realidade cotidiana: da violência policial e dos bolsões de miséria à depressão, falta de perspectivas e alienação tecnológica. Letras como “Máquinas” e “Bala Perdida” não se escondem atrás de metáforas suaves, optando por descrições afiadas que confrontam diretamente quem escuta.

Os videoclipes para as músicas “Máquinas”, “Ponta de Faca” e “Monstro em Mim”, já disponíveis nas redes sociais e no canal da banda, ampliam esse olhar sem filtro. Eles reforçam a estética urgente do grupo e sua recusa em maquiar as contradições da vida urbana.

A capa do álbum, um híbrido de fotografia tirada pelo vocalista Fernando e ilustração de Rodrigo Souza, resume bem esse choque de realidades: uma São Paulo cinzenta, saturada de tensões humanas, iluminada apenas pelos traços gritantes da arte punk.

A formação de Trágico Punk — Fernando nos vocais, Fejones na guitarra, Amanda no baixo e Déda na bateria — é hoje presença constante em palcos do circuito independente da capital paulista, reforçando que a cena local nunca deixou de pulsar, apesar de décadas de apagamento midiático.

No fundo, Trágico Punk é mais do que mais uma banda de hardcore. Eles fazem parte de um movimento que não só insiste em existir, mas em incomodar, provocar reflexão e manter viva a chama contestadora do punk no Brasil.

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