Foto Por: Yasmin Kalaf (@yasmin.kalaf)
A banda paulistana que faz melodias para momentos invisíveis. Do synth pop ao jazz: a nova cara da música independente
São Paulo já é berço de movimentos, grafites, contrastes e batidas pulsantes. É nessa megacidade que surge City Mall, um projeto musical que olha para o cotidiano urbano — e até para a rotina de espera — como matéria-prima artística. Formada por Mariana Stein (voz), Pedro Spadoni e Matheus Del Claro (ambos idealizadores e produtores), a banda se descola do rock tradicional para explorar texturas sonoras mais leves, ainda que instigantes, entre o synth pop, o jazz e o city pop nostálgico.
O projeto nasceu da afinidade entre Spadoni e Del Claro, nomes já conhecidos na cena indie paulista por seus trabalhos com outras bandas. Eles trouxeram referências diretas de ícones como Anri, Tatsuro Yamashita e Steely Dan, misturando pop dos anos 80 e o jazz sutil em uma sonoridade que foge ao padrão esperado quando se lê a palavra “banda”. Essa mistura é ainda mais curiosa quando descrevem, com humor e ironia discreta, o próprio conceito do grupo: “uma banda profissional de música para elevadores, lobbies de hotéis e salas de espera”.
O vocal etéreo de Mariana Stein funciona como ponte para essa paisagem sonora. Em faixas como Windy, lançado como single de estreia, o ouvinte é convidado a viajar entre camadas de sintetizadores leves e melodias que evocam imagens — do vento que guia quem se deixa levar à atmosfera de cenas urbanas incorporadas nas letras.
No fim de 2024, City Mall consolidou sua identidade com o EP Lobby Songs. Esse trabalho não é apenas um conjunto de músicas: é uma proposta estética. A produção colaborativa, dividida entre casas dos músicos e finalizações em estúdios como a Casa Algohits, dá ao EP uma textura artesanal. As harmonias ali navegadas falam de tempo, relações e aquela sensação ambígua de pausa e passagem que todo centro urbano parece oferecer.
O videoclipe de Sapphire, outra faixa do EP, aprofunda essa ideia. Dirigido pelo duo COSMO, o vídeo se passa dentro de um elevador e transforma aquele espaço limitado em metáfora para travessias interiores, lembranças e obstáculos pessoais. O conceito visual devolve à música uma dimensão filosófica: a espera e o movimento, aparentemente simples, são aqui espelhos de nossas próprias jornadas.
Mais recentemente, o single City Tour estendeu o universo narrativo da banda. Lançado como parte de um projeto colaborativo entre selos independentes, a faixa capta a vida no centro de São Paulo com uma sonoridade urbana e cinematográfica, como se cada ruído e cada esquina se tornassem parte da trilha sonora.
Musicalmente, City Mall se encaixa em uma cena que mistura nostalgia e contemporaneidade. Eles não são apenas mais uma banda de rock. A proposta é pensar o som como companheiro de deslocamentos, de momentos triviais e, ainda assim, cheios de significado. Nesse sentido, a banda funciona como uma lente curiosa sobre a cidade — uma lente que não ignora o barulho, mas o reaproveita como parte de sua estética sonora.
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