“Riding Worms” usa referências de ficção científica para refletir conflitos reais e linguagem musical ousada
A cena pesada paulista ganhou um novo protagonista promissor com o lançamento de Riding Worms, o primeiro single autoral da banda Cyberpunch. Formado em agosto de 2024, o grupo já vinha chamando atenção nos palcos do underground com shows intensos e teatralidade marcante, e agora estreia oficialmente sua narrativa sonora após pouco mais de um ano de estrada.
Cyberpunch reúne músicos de diferentes caminhos no metal e constrói um som que oscila entre o heavy tradicional, o thrash veloz e camadas góticas sombrias. Essa mistura traz à mente tanto a épica crueza dos clássicos como Iron Maiden e Metallica quanto a atmosfera densa e dramática de bandas como Rammstein e Powerwolf.
Em Riding Worms, a banda explora com ousadia essa paleta influencial. A faixa une riffs acelerados e melodias envolventes, sustentadas por um vocal barítono que se destaca pela profundidade e expressão emocional. Liricamente, o single se ancora no imaginário sci-fi de obras como Duna, usando a imagem dos vermes de areia como metáfora para ciclos sociais de exclusão, marginalização e repetição histórica, traduzindo camadas dramáticas e críticas ao presente através de uma fantasia intensa.
O lançamento vem acompanhado de um lyric video visualmente cuidado, reforçando a estética pós-apocalíptica que a banda quer imprimir ao seu universo. Cena, música e performance caminham juntas: nos shows, a presença de adereços steampunk e a personificação de personagens ampliam a imersão, convidando o público a viver o mundo que Cyberpunch chama de Chromefall, universo que será detalhado no álbum completo previsto para 2026.
Antes mesmo desse lançamento, o Cyberpunch já havia marcado território na cena underground paulista ao participar da primeira edição do Hefestival, ao lado de outras bandas de peso local. É uma mostra de que, além de trabalhar em estúdio, o grupo está construindo sua reputação ao vivo, onde sua teatralidade é peça central da experiência do público.
Os cinco integrantes — Netuno Balboa (vocais), Ruan Diego e Gabriel Henrique (guitarras), Zedu Domingues (baixo) e Gabriel Gifoli (bateria) — trazem bagagens variadas dentro do metal. Essa diversidade permeia a sonoridade do Cyberpunch e explica parte de sua ambição criativa, que vai além de riffs potentes e refrões marcantes para abraçar um universo conceitual e teatral.
Em um cenário em que novas bandas lutam para emergir em meio a nomes históricos do heavy e thrash brasileiro, a aposta do Cyberpunch em temas densos, estética própria e foco em narrativa é um sinal de identidade forte — e uma promessa para quem acompanha o metal autoral que foge do lugar-comum.
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