Basttardz: o peso do hardcore como voz de protesto e resistência

Militância e Distorção: A crítica social como combustível sonoro.

No cenário pulsante do rock independente brasileiro, poucas bandas emergem com a mesma urgência de voz e contundência lírica que a Basttardz. Nascida em São Luís (MA) em 2020, a banda rapidamente se consolidou como um dos nomes mais incisivos do hardcore/crossover nacional, unindo ritmos pesados, crítica social e uma estética de protesto que reflete a realidade do país.

Hardcore com causa

A Basttardz não é apenas mais um grupo de som agressivo; sua música está profundamente enraizada na luta por justiça social e na crítica ao status quo brasileiro. Esta proposta se manifesta não só no conteúdo das letras, mas também nos lançamentos recentes da banda — como o single e videoclipe “Greve”, divulgado em 2025, que aborda a precarização do trabalho urbano, especialmente dos motoboys e entregadores por aplicativo, em uma narrativa visual gravada nas ruas de São Luís e lançada em parceria com o Canal Scena.

Essa postura política é marca registrada da Basttardz. As composições exploram temas que vão da desigualdade social à crítica ao sistema capitalista, sempre com uma linguagem direta e sem concessões — um traço que remete à tradição do punk e hardcore como ferramentas de denúncia e reflexão.

Uma identidade sonora e estética

Musicalmente, o quarteto mistura elementos do hardcore, crossover e até influências do hip hop nacional, criando um som visceral que dialoga com a tradição de bandas como Ratos de Porão e Suicidal Tendencies, mas com uma pegada que espelha a realidade brasileira. O quarteto — atualmente composto por André Nadler (vocal), Inaldo Jr. (guitarra), Adriano Ayan (baixo) e Gabs Matos (bateria) — destila um som que é, ao mesmo tempo, um soco no estômago e um convite ao mosh pit.

Cronologia e Discografia

  • Brasil com Z (2020): O debut que definiu o tom do grupo. Faixas como “P.I.G.N. (Pequenas Igrejas, Grandes Negócios)” e “Agrothrash” mostram que a banda não tem medo de tocar em feridas sociais, políticas e religiosas. Ouça Brasil com Z
  • Auschwitz Tropical (2022): Um álbum que elevou a barra da produção e da agressividade. O título, por si só, já é uma crítica ácida à gestão humanitária e política do país, consolidando a identidade visual e lírica da banda como “militantes culturais”. ouça Auschwitz Tropical
  • Greve (2025): O lançamento mais recente reforça a faceta de resistência do grupo. Com uma estética urbana e um clipe gravado “na raça”, a faixa reafirma que o hardcore da Basttardz é feito na rua e para a rua.

Do underground para o país

Embora atue no circuito independente e fora das grandes rádios e mídias comerciais, a Basttardz vem conquistando espaço significativo dentro da cena hardcore nacional. Suas músicas acumulam dezenas de milhares de streams nas plataformas digitais e seus videoclipes têm repercussão nas plataformas de cultura alternativa.

Em 2025, a banda celebrou seus cinco anos de existência com uma turnê pelo Sudeste e Sul do Brasil, levando sua mensagem e seu som direto para diferentes públicos e fortalecendo o laço com coletivos e produtores culturais locais.

Cultura, crítica e sobrevivência no rock brasileiro

O nome Basttardz, u ma adaptação provocativa de “bastards” (bastardos, em inglês), carrega consigo mais do que um jogo de palavras: é uma crítica ao olhar mercadológico sobre a música pesada, um repúdio à ideia de que artistas devem “americanizar” seus nomes e estilos para conquistar relevância. A escolha do nome reflete, assim, uma postura crítica e autônoma, alinhada ao ethos punk/hardcore de autonomia e resistência.

Em tempos em que o rock muitas vezes se vê marginalizado pela indústria musical mainstream, a Basttardz se firma como exemplo de resistência cultural, reforçando que a música pesada — combinada com conteúdo político e social — continua sendo um canal poderoso para expressão e mobilização. A banda não apenas faz barulho, mas faz sentido: seus riffs e letras se entrelaçam numa narrativa de resistência que ecoa as frustrações, revoltas e aspirações de quem sente o peso das desigualdades no Brasil contemporâneo.

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