Djonga lança clipe “Hat-Trick” com referencias de Frantz Fanon

Uma grande canção merece um grande clipe. Foi exatamente isso que fez Djonga para “Hat-Trick”, faixa de abertura do maravilhoso álbum ladrão lançado em março que fala sobre racismo, empoderamento do povo negro, a ascensão de artista através da música e sua convivência em seu meio na perspectiva de alguém que superou dificuldades e escalou socialmente através da arte.

Djonga foi buscar a referencia para produção audiovisual na importante obra “Pele negra, máscaras brancas” de Frantz Fanon, na qual o racismo e o colonialismo são abordados como formas de dominação entre os seres humanos no mundo moderno. A máscara branca é o elemento que faz com que o negro se sinta “humano” tal como seus colonizadores. A colonização não se da apenas na economia, mas também no psicológico, na destruição da identidade e do espírito do povo oprimido. Sem uma identidade o negro tenta se fazer branco negando a si mesmo em busca do privilegio da existência social, da individualização e da fala.

O roteiro assinado pelo rapper, mostra a saga de um jovem negro com mascara branca tentando se tornar um branco e desprezando suas origens. Djonga aparece em cena como uma voz que busca libertá o jovem desse estado de alienação. A limpeza do rosto branco representa a libertação do pensamento do colonizador, a volta as origens e a criação da identidade negra. No final Djonga assume o corpo do rapaz ao ser alvejado por um tiro. É como se Djonga estivesse contando a sua própria historia de resistência para não se tornar um branco. Há uma forte critica a questão do “branqueamento dos mcs” que Djonga diz: “Falar o que ‘eles querem’ que falem é falar como um branco. Djonga encerra o clipe de forma magistral com um manifesto sublime.

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