Mídia Periférica: dois anos fazendo valer direitos, através da Comunicação

Por Daniela Novais

Quando se ouve falar em democratização da comunicação, uma das principais reivindicações é o protagonismo das massas e uma programação mais heterogênea, que mostre a cara do povo mais esquecido, como a periferia. Há dois anos atrás cinco jovens se reuniram em um curso de Direito à comunicação e produção de vídeo do Instituto de Mídia Étnica (IME) em parceria com o Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA) na comunidade de Sussuarana em Salvador, na Bahia e fundaram o Grupo de Comunicadores Jovens Mídia Periférica.

Além de produzir conteúdo direcionado para a periferia, eles vêm conseguindo incidir diretamente na interlocução entre as grandes mídias e a Periferia. E não para por aí: Enderson Araujo, Ana Paula Almeida, Weslley Silva, Itamara da Silva e Liege Viegas pretendem praticar a teoria que adquirem em suas andanças e formações, para produzir conteúdo de mídia gratuita e multicultural, com protagonismo da periferia, tão excluída da mídia. “Nós temos um projeto de mostrar a visão da periferia, através das ferramentas alternativas. Além do que já fazemos, que é o blog e o Jornal Mural. pensamos em produzir conteúdo audiovisual para a internet”, revela Enderson.

Mídia Periférica – Enderson, Ana Paula, Wesley, Itamara e Liege foram contagiados pela comunicação democrática durante o curso do IME e UNFPA, mas foi nas andanças por Sussuarana que as três mentes inquietas começaram a fotografar a comunidade.

Assim observaram que a periferia não tem só miséria e tem as senhoras que se reúnem para tricotar, fazer crochê, as crianças que batem uma pelada no final de linha ou empinam pipa enquanto os senhores de meia idade jogam dominó na praça ao fim de tarde, começaram a mostrar essas cenas na internet, como forma de repudio ao que a mídia convencional pregava sobre a periferia.

Enderson Araujo

Multimídia – Acreditando que os vídeos ficavam meio soltos, sem nenhum tipo de referencia, nasceu enfim o Mídia Periférica. O projeto de comunicação promovido por IME e UNFPA terminou, mas os jovens continuaram a se reunir e produzir. Conseguiram espaço em uma laje e transmitem para toda comunidade, através de caixas de som, que é uma espécie de radio comunitária em Sussuarana e estreiam em setembro o programa I Love Periferia.

Além disso, os jovens produzem o programa Radiação Favela, de hip-hop e que já tem transmissão Online. Ao mostrar seu potencial, conseguiram apoio da Rede Servidor e produzem sua Web TV com os programas Conversa de Quilombo, Multicultural, Love Periferia e Informe Periférico.

Multiplicação – Mais importante é que a periferia está saindo para o mundo e os três jovens têm multiplicado seus conhecimentos em oficinas, que são convidados a fazer em outras comunidades, escrevem para a revista Viração!, que é feita por jovens de todo o Brasil, integram a Agencia Jovem de Noticias da Revista Eletrônica da Viração, com quem participaram recentemente da conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente Rio+20 e da quinta edição do Festival Afrolatinas em Brasília.

Também não podemos deixar de dizer que Enderson Araújo tem sido colaborador assíduo deste Portal e que nós sonhamos o mesmo sonho de democratizar a comunicação e aproximá-la, cada vez mais de mais pessoas.

Fonte: Portal Câmara em Pauta

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