A magia e a transgressão da poesia de Marcio Rufino

“Sou a mão que ao mesmo tempo alisa e massageia, pode também esmurrar e esbofetear. Sou a chuva que ao mesmo tempo refresca e fertiliza o solo, pode também causar enchentes e derrubar lares. Sou o fogo que ao mesmo tempo que aquece e protege do frio, pode também incendiar e consumir em cinzas.”

Este é Marcio Rufino. Nascido em São João de Meriti e criado em Belford Roxo, o escritor, ator e educador Marcio Rufino estreou na poesia no ano de 1998 ao lançar pelo selo Kro-Art da editora Lítteris seu livro “Doces Versos da Paixão”. Logo em seguida estréia no teatro como ator na peça Che Guevara de Jonh Vaz. Na década de 2000 passa a postar seus poemas em portais, sites e blogs literários e culturais da internet que passa a ser um dos principais veículos onde divulga sua obra literária que consiste em poemas, contos, crônicas e literatura infantil. Em 2008 funda com Ivone Landim, Dida Nascimento, Jorge Medeiros, entre outros poetas, artistas e educadores de toda a Baixada Fluminense o coletivo Pó de Poesia e integra-se imediatamente a outro grupo cultural da região o Gambiarra Profana, transitando com liberdade entre os dois coletivos. Em 2009 se forma em Licenciatura em História pela UNIABEU ao mesmo tempo que atua em projetos culturais e educacionais da rede de ensino da prefeitura de Nova Iguaçú como o Bairro-Escola, o Mais-Educação e o Projovem Adolescente. Mantém seu blog Emaranhado Rufiniano onde divulga seus escritos. Em 2011 é o ator de Belford Roxo selecionado para integrar o elenco de O Inspetor Geral espetáculo de rua da Companhia Teatral Queimados Encena escrito por Lino Rocca, adaptado do clássico original do escritor russo Nikolai Gogol.

Marcio Rufino define sua poesia como uma colagem de sentimentos, idéias, imagens líricas e caóticas que nem sempre encontram uma lógica num mesmo poema, mas encontra sua unicidade na diversidade de metáforas constituindo um mosaico que amalgama as visões e pensamentos que o autor tem do mundo.

Caçada dos Instantes

É um antigo sonho que se rematerializa
Em formas insanas e incoerentes
Uma tela que se repinta em cores diferentes
Nela dois sinistros pequenos círculos próximos
Me perseguem pelo quadro de imagem árida
Penso que são seus firmes olhos
Mas são os penetrantes olhos de uma águia
Ao despertar não consigo conter o motim que há no leito
Dos fragmentos que surgem no meu ócio
Como um fino som agudo no peito
Surgido aos poucos no fundo do silêncio
Os fragmentos são meus queridos amigos fantasmas
Testemunhas únicas do ouco nascedourode minhas palavras
Arautos de um cruel pôr-do-sol que invade
O crepúsculo evasivo e selvagem de antigas horas
Mas lembro que antigamente as tardes
Eram mais tranqüilas, quase mortas
Na caçada dos instantes
Reverberam inúteis certezes cínicas, incessantes
Vigiando tempos
Perscrutando previsões
Acossando momentos
Tocaiando as ocasiões
Tudo constantemente uma coisa na outra implica
Nada nasce do nada
E até o nada se recicla.

 Marcio Rufino

Contato: [email protected];

Blog Emaranhado Rufiniano;
http://emaranhadorufiniano.blogspot.com

 Blog Pó de Poesia;

http://po-de-poesia.blogspot.com 

O poeta Marcio Rufino declama no palco do “Putz Grila!”

4 thoughts on “A magia e a transgressão da poesia de Marcio Rufino

  1. Querido Rociclei,

    Mais uma vez muito obrigado pela excelente matéria. Só gostaria de corrigir um pequeno erro. O Pó de Poesia foi fundado em 2008 e não 1998 como mencionado no artigo. Um grande e carinhoso abraço e mais uma vez. Muito obrigado pelo carinho!!!

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